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Comparação das reflexões de Tocqueville e do jovem Marx acerca do fenômeno da democracia



            Em A Democracia na América, Tocqueville analisa um país que passava por uma grande revolução social, uma revolução democrática, que vinha se desenrolando desde que os americanos proclamaram sua independência em 1776, compreende que a liberdade, a busca pela igualdade, o respeito à a constituição, que é conhecida e respeitada pelo povo, podem produzir uma nação sem precedente na história humana. Que a propriedade da terra é um elemento fundamental para o estabelecimento da igualdade de condições, posto que a concentração do poder político estaria associada à propriedade do solo (Tocqueville, 1987).
Mesmo de origem aristocrática, era um defensor da democracia, desde que sem sobressaltos revolucionários, preconizando uma política liberal assente em quatro fontes de liberdade: a política, a de imprensa, locais e de associação. Considera a democracia uma ruptura com o passado, uma agitação anárquica. Tocqueville reconhece que o fenômeno que surgia na América do Norte, por seu caráter e suas paixões certamente se espalharia por todo o mundo.  Este fenômeno, esta marcha pela igualdade, estava se generalizando nas sociedades cristãs que estavam passando pela mesma revolução.
A concepção de democracia do jovem Marx seria uma ação direta que colocaria as entidades políticas e as instituições sociais nas mãos do povo. Suas propostas passam pela: democracia; emancipação humana; revolução radical; socialismo e comunismo. Demonstrando, portanto, que nestes anos decisivos para a obra de Marx, ele percorre um caminho, ainda não completamente definido. (Celso Frederico, 2009). Marx acreditava em uma possível eliminação do Estado e que algum tipo de democracia iria predominar como regime comum da humanidade. Para ele o Estado “repousa sobre a contradição entre vida pública e privada, sobre a contradição entre os interesses gerais e os interesses particulares” (Marx, 2010).
Tanto Tocqueville quanto Marx compreendem que para o surgimento de uma sociedade moderna e democrática seria necessário a desintegração do sistema feudal e do sistema capitalista opressivo à liberdade que começava a surgir em seu lugar. Embora os dois autores concordem que haverá uma mudança no sistema hierárquico em nível mundial, discordam acerca do caráter dessas mudanças e em como será essa nova sociedade.
Para Tocqueville, a sociedade moderna difere da sociedade aristocrática por sua natureza considerando que as sociedades anteriores foram hierárquicas e continham classes distintas e que nas na sociedade moderna eram meramente variações sutis no grau de riqueza. Como não há classes específicas para governar, as duas possibilidades para a sociedade moderna são as ordens sociais democráticas e despóticas.
 Para Marx, a sociedade moderna, como as sociedades que existiram antes dela, foram essencialmente baseadas em antagonismos entre as classes dominantes e as classes exploradas (Marx, 1999). Porem na democracia todo o antagonismo de classes pode ser resumido em burguesia e proletariado. As relações de classe, enraizadas nas relações econômicas de produção, fornecem a base para a superestrutura política. Para afetar qualquer mudança séria, a classe oprimida deve tomar o poder e produzir uma revolução.



TOCQUEVILLE, Alex. A democracia na América. Belo Horizonte. São Paulo: Itatiaia. Universidade de São Paulo, 1987.
FREDERICO, Celso. O jovem Marx: 1843-1844 as origens da ontologia do ser social. 2ª Ed. São Paulo: Expressão Popular, 2009.
MARX, Karl. Glosas críticas marginais ao artigo “O rei da Prússia e a reforma social” de um prussiano. São Paulo: Expressão Popular, 2010.
MARX, Karl. O Manifesto Comunista. Fonte digital: Rock Edition. Ed. Ridendo Castigat Mores,1999. Disponível em: <http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/manifestocomunista.pdf > Acesso em: 06 de julho de 2018.


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