Nos capítulos Poder e troca: a
filosofia do chefe indígena e o A sociedade contra o Estado, Pierre Clastres
faz uma análise descritiva da imagem do chefe nos povos primitivos da
América do Sul, e como se desenvolve o relacionamento deste com os demais
membros de sua própria sociedade de maneira igualitária. Sua intenção aqui é
pôr em xeque interpretações antropológicas compreendidas por ele como
etnocêntricas e que não abrangem de outras formas de organização social.
Questiona a perspectiva de que sociedades primitivas sejam sociedades
reduzidas, incompletas e carentes. Perspectiva esta que impede uma compreensão
aprofundada dessas sociedades e suas realidades. Aponta a nossa incapacidade de
compreender um mundo fora dos nossos parâmetros cotidianos e um certo
evolucionismo presente na antropologia, onde se caracteriza sociedades e
culturas diferentes pelo que elas não possuem em comparação com o modelo de
sociedade ocidental e, por esse motivo, tende a incorrer o equívoco de
considera-las arcaicas. O erro de interpretar formas de organização políticas
primitivas como condições de desordem total ou um estado de tirania constante.
Clastres nos apresenta inúmeros povos
indígenas vivendo em grupos anárquicos dos quais existe um senso grande de
igualdade e teor democrático. Clastres entende que estas sociedades não são
sociedades sem Estado e sim contra a ideia de poder político centralizado e,
conclui que modelos de organização políticas como o europeu é apenas mais um
modelo de organização entre diversas existentes e que, portanto, não o devemos
considerar como universal.
O chefe indígena depende totalmente da
vontade de seu povo para conseguir exercer as suas obrigações. Sua vontade tem
significância nula na função de liderança. O membro do grupo denominado chefe,
não é um indivíduo que detém o poder primordial de uma sociedade , trata se de
um elemento “pacificador”, um moderador do grupo; um bom orador, com
capacidades de persuasão e de transmitir as tradições do grupo para os mais
jovens e um membro generoso, com a capacidade de abrir mão de suas posses em
prol do bem estar do grupo. Clastres mostra que a poligamia é algo restrito a
um determinado grupo de indivíduos, sendo o chefe, em sua maioria, o que a
exerce. A poligamia está ligada a generosidade do chefe, já que é necessário
que se tenha uma grande família para se obter recursos a se oferecer para seu
grupo.
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