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Analise de A Sociedade Contra o Estado Capitulos I e XI


Nos capítulos Poder e troca: a filosofia do chefe indígena e o A sociedade contra o Estado, Pierre Clastres faz uma análise  descritiva da imagem do chefe nos povos primitivos da América do Sul, e como se desenvolve o relacionamento deste com os demais membros de sua própria sociedade de maneira igualitária. Sua intenção aqui é pôr em xeque interpretações antropológicas compreendidas por ele como etnocêntricas e que não abrangem de outras formas de organização social. Questiona a perspectiva de que sociedades primitivas sejam sociedades reduzidas, incompletas e carentes. Perspectiva esta que impede uma compreensão aprofundada dessas sociedades e suas realidades. Aponta a nossa incapacidade de compreender um mundo fora dos nossos parâmetros cotidianos e um certo evolucionismo presente na antropologia, onde se caracteriza sociedades e culturas diferentes pelo que elas não possuem em comparação com o modelo de sociedade ocidental e, por esse motivo, tende a incorrer o equívoco de considera-las arcaicas. O erro de interpretar formas de organização políticas primitivas como condições de desordem total ou um estado de tirania constante.
Clastres nos apresenta inúmeros povos indígenas vivendo em grupos anárquicos dos quais existe um senso grande de igualdade e teor democrático. Clastres entende que estas sociedades não são sociedades sem Estado e sim contra a ideia de poder político centralizado e, conclui que modelos de organização políticas como o europeu é apenas mais um modelo de organização entre diversas existentes e que, portanto, não o devemos considerar como universal.
O chefe indígena depende totalmente da vontade de seu povo para conseguir exercer as suas obrigações. Sua vontade tem significância nula na função de liderança. O membro do grupo denominado chefe, não é um indivíduo que detém o poder primordial de uma sociedade , trata se de um elemento “pacificador”, um moderador do grupo; um bom orador, com capacidades de persuasão e de transmitir as tradições do grupo para os mais jovens e um membro generoso, com a capacidade de abrir mão de suas posses em prol do bem estar do grupo. Clastres mostra que a poligamia é algo restrito a um determinado grupo de indivíduos, sendo o chefe, em sua maioria, o que a exerce. A poligamia está ligada a generosidade do chefe, já que é necessário que se tenha uma grande família para se obter recursos a se oferecer para seu grupo.

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