Este trabalho faz parte da disciplina
de Antropologia I, ministrada
pela Professora Alessandra Rinaldi
Dissertação
apresentada na UFRRJ.
Apresentação:
Trabalho em uma escola de ensino fundamental e das coisas que eu mais gosto em me trabalho é interagir, observar e tentar entender o comportamento das crianças que aqui estudam. Observo muito a maneira em que cada criança reage aos estímulos que o ambiente e o convívio direto e indireto com outros indivíduos pode proporcionar. Como os alunos interagem entre si, a formação de grupos sociais, a mudança na maneira de relacionar com a Unidade Escolar dependendo do se avanço (ou não) pelos anos escolares. Como buscam aceitação ou o porquê de se retraírem socialmente. Como as características e métodos de cada professor podem refletir no comportamento dos seus alunos.
Escolhi para a execução desse trabalho um setor especifico nesta Unidade Escolar (Escola Municipal Pastor Gerson Ferreira da Costa) o Jardim de Infância. O escolhi por três motivos que no momento me parecem relevantes:
Primeiro motivo:
O jardim de infância desta Unidade Escolar se divide em três níveis denominados anos escolares, onde os alunos encontram-se divididas por idade e por nível de desenvolvimento. Encontram-se neste setor crianças recém-inseridas no sistema de ensino, na faixa dos três anos de idade; crianças na metade da etapa de adaptação ao sistema educacional, tendo estas concluído a etapa creche A deste processo. Neste ponto encontramos crianças entre quatro e cinco anos de idade e as crianças maiores, com idade de cinco anos que estão sendo preparadas para a etapa de alfabetização que se iniciará no próximo ano letivo, quando ingressarem o 1° ano do ensino fundamental.
Segundo motivo:
O jardim de infância é um setor separado fisicamente e didaticamente do restante da Unidade Escolar, contando com banheiros, bebedouro, profissionais e materiais didáticos próprios, o que, a meu ver, cria uma espécie de micro cosmos educacional na Unidade, o que proporciona um melhor desenvolvimento neste processo de adaptação. Este setor mesmo separado de restante da Unidade Escolar, ainda mantém o mesmo padrão de cores nas paredes e grades que o restante da instituição. Acredito que o padrão de cores faça parte do processo de ambientação dos alunos . Os alunos desta fase jardim de infância só entram em contato com os demais alunos da Unidade na hora da execução do Hino Nacional Brasileiro e do Hino Municipal de Seropédica, sendo este o único momento de integração com outros alunos do corpo estudantil. Há também momentos de utilização de espaços comuns por estes alunos, como o refeitório e a quadra poliesportiva, porém em momentos diferenciados do utilizados pelos outros alunos da Unidade.
Terceiro motivo:
Ao optar por esse setor específico da Unidade Escolar levei em conta o grande apreço que tenho pelas crianças neste estágio, pela grande capacidade de adaptação que apresentam, pelo prazer que demonstram ao aprender uma coisa nova e, é claro, pela sinceridade e espontaneidade demonstrada em suas perguntas e respostas.
O Jardim de Infância
O jardim de infância da Escola Municipal Pastor Gerson Ferreira Costa neste ano letivo de 2017 está dividido em seis turmas organizadas por idade dos alunos e/ou nível de desenvolvimento. Com suas salas de aula organizadas pelo corredor em ordem crescente de níveis, assim os mais novos entram direto para as suas salas sem passar em frente das salas de níveis mais avançados, bem como os que se encontram mais próximos ao final do corredor, estão na verdade mais próximos do ingresso as ensino fundamental.
Creche A e B são classes formadas por alunos recém-inseridos no sistema de ensino. Encontram-se em fase de adaptação a um sistema de regras até então novo para elas, caracterizando-se em uma grande mudança em suas rotinas diárias;
O Infantil 1 está dividido em infantil 1, infantil 1C e infantil 1B organizados em níveis de desenvolvimento dos alunos, para aplicação de métodos didáticos específicos para cada nível. O Infantil é formado por crianças entre quatro e cinco anos. Apresentam estas um maior grau de adaptação ao sistema de ensino, melhor integrados as normas escolares e com um relacionamento social bem mais desenvolvido do que o apresentado pelos alunos da creche. Aceitam melhor os comandos e apresentam maior independência na realização de suas atividades individuais na sala de aula ou nas saídas sozinhos pelo corredor para irem ao banheiro ou bebedouro;
O Infantil 2 As crianças nesta fase encontram-se muito mais avançada que as demais deste setor. Estão em fase de preparação para o curso de alfabetização que terá seu início no próximo ano. Mudando não apenas de setor na Unidade Escolar mas também haverá m estreitamento nas regras e uma intensificação nas atividades escolares. Encontram-se nesta
fase crianças com idade média de cinco anos, tendo estas já assimiladas às regras escolares e um comportamento mais cortês. Cumprimentam com o desejo de bom dia quando chegam e utilizam-se do por favor e muito obrigado em quase todas as interações com os colegas de turma e funcionários desta instituição.
Mudanças de Padrão de Comportamento
Nestas fases do curso de educação infantil jardim de infância o aluno é moldado a partir de diversos estímulos e repetições a um conjunto de padrões de regras que, a meu ver, parecem inexistentes às crianças antes de inseridas no neste sistema de ensino.
É muito nítida a diferença de comportamento das crianças quando chegam a Unidade Escolar acompanhados de seus familiares e entram sozinhas pelo corredor. É possível observar a mudança de comportamento de quase todas as crianças. Geralmente a sua mochila é trazida pelo familiar, quase todas vem de mãos dadas com o responsável e dele recebe normalmente um beijo de boa sorte e a promessa de retorno para busca-la. Os passos das crianças neste momento em que chegam na Unidade geralmente é irregular e acompanha os movimentos dos responsáveis, porém ao atravessar os limites do portão com sua mochilinha nas costas a criança muda o comportamento. Assume o papel de aluno, demonstrando muito mais independência, com um passo firme e em ritmo de marcha. Sozinho e em direção de sua própria turma.
Por que o comportamento da criança muda quando o responsável vai embora ?
Por que a criança marcha pra sala?
Vi que crianças trazidas por serviço de transporte escolar não apresentam esta mudança comportamento e que as crianças da creche apresentam variações neste sentido o que me ajuda a responder a primeira questão levantada. Na entrada da Unidade Escolar o aluno entende a diferença de currículo da instituição família para a instituição escola e neste entendimento ele passa a seguir as regras deste segundo ambiente. Em relação às crianças trazidas por transporte escolar, entendo que no momento que são colocadas na responsabilidade do condutor, elas já assumem a posição social de aluno e passa a obedecer a outro padrão comportamental. Não tive a oportunidade de acompanha-las no trajeto casa-escola, mas talvez se o tivesse o comportamento delas talvez fosse afetado pela minha presença. Quanto as crianças da creche, entendo que seu comportamento pode variar pela idade em relação aos alunos de outras turmas do Jardim de infância e por ainda estarem em fase adaptação ao sistema de ensino.
E por que eles marcham? A resposta para essa questão se torna clara toda vez que se observa os alunos saindo da sala de aula para alguma atividade, como a hora da merenda, a ida a brinquedoteca, ou para a quadra poliesportiva. Elas marcham. Vão em ordem do menor em estatura para o maior, formando um “trenzinho”, sempre cantando uma musica e quase todos batendo o pé direito. Acredito que eles assimilam este comportamento como comportamento escolar e por isso o repetem quando chegam na instituição.
Comportamento Menino/Menina
Neste momento no sistema de ensino as crianças analisadas não me aparentaram diferenças de comportamento entre um gênero o outro. Ambos aparentam as mesmas necessidades, falam basicamente sobre os mesmos assuntos e realizam competições de força entre si independente se são meninos ou meninas. As competições mais comuns entre as crianças são as de velocidade, geralmente corridas pelo corredor, mas à variações bem improváveis destas competições, desde quem bebe mais água e/ou mais rápido até quem é o mais rápido no banheiro. Ou quem consegue chegar à sala pulando de costas.
Demonstrações de Afeto
Crianças nesta fase de ensino demonstram geralmente grande necessidade de expressar seu afeto. Quase sempre um sorriso, um aceno de mão um grito de “oi tio”, um aperto de mão ou um grande abraço. Há nessas demonstrações de afeto os momentos que de ganham destaque como o “momento Cristiano Ronaldo” (1),que acontece pelo menos duas vezes ao dia em que crianças de uma destas turmas passa ao seu lado pelo corredor e, se umas delas te cumprimenta com um toque de mãos, e você retribui o gesto. Isso contagia e cria uma sequência de cumprimentos repetidos até que o último aluno passe. E o mais amável de todos que é o “momento minions(2)”, que é aquele momento em que uma criança lhe oferece um abraço e você o retribui. Havendo outras crianças próximas, estas também querem demonstrar afeto, criando assim uma sequência de abraços ou um grande abraço coletivo difícil de se desvencilhar .
O Conceito Educacional do Jardim de Infância
O alemão Friedrich Froebel (1782-1852) foi um dos primeiros educadores a considerar o início da infância como uma fase de importância decisiva na formação das pessoas. Para ele, as brincadeiras são o primeiro recurso no caminho da aprendizagem. Não é apenas diversão, mas um modo de criar representações do mundo concreto com a finalidade de entendê-lo. Com base na observação das atividades dos pequenos com jogos e brinquedos. O objetivo das atividades nos jardins-de-infância devem possibilitar brincadeiras criativas. As atividades e o material escolar devem ser determinados de antemão, para oferecer o máximo de oportunidades de tirar proveito educativo da atividade lúdica. Ferrari,Marcio (2008,Nova Escola)
(1) Cristiano Ronaldo, jogador de futebol português que joga no Real Madrid
(2) Minions, personagens de animação Pequeninos e amarelos, criados pela Universal Pictures.

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